
A maioria dos atrasos e dos orçamentos que disparam nasce da mesma causa: um briefing vago. Quem contrata não sabe bem o que quer, quem presta o serviço tem de adivinhar, e o resultado é uma série de revisões que ninguém previu. A boa notícia é que meia hora de preparação evita quase tudo isto. Aqui ficam duas checklists, uma para cada profissional, e três regras que valem para ambas.
Antes de contratares uma web designer
Uma web designer consegue fazer um bom trabalho com pouco, mas não consegue ler mentes. Estas são as respostas que mais ajudam:
- Objetivo do site: vender, mostrar portefólio, captar contactos, marcar reuniões? Um objetivo principal por página decide quase tudo o resto.
- Público-alvo: quem vai visitar o site, o que procura e em que dispositivo? Se a maioria chega pelo telemóvel, o design começa aí.
- Conteúdos: textos, fotografias, logótipo e cores já existem, ou ainda vão ser criados? Este é o ponto que mais atrasa projetos.
- Referências: três sites de que gostas e, mais importante, o que gostas em cada um. Dois sites bonitos que nada têm em comum não ajudam ninguém.
- Estrutura e funcionalidades: quantas páginas, e precisas de blog, loja, reservas, formulários ou versão em duas línguas?
- Domínio e alojamento: já tens? Em nome de quem estão registados? Convém que seja no teu.
- Orçamento e prazo: diz o intervalo que tens em mente e a data que realmente importa. Ajuda a desenhar a solução certa, em vez de uma solução cara que não cabe.
- Depois do lançamento: quem atualiza o site? Precisas de formação para editares sozinho, ou de um plano de manutenção?
Antes de contratares uma tradutora
Uma tradução pede o mesmo tipo de preparação, só que com outras perguntas:
- Línguas e variante: de português para inglês, claro, mas para que público? Inglês britânico ou americano muda a ortografia, o vocabulário e algumas convenções.
- Finalidade e leitor: é para publicar, para uso interno, para submeter a uma revista, para apresentar numa entidade? O mesmo texto traduz-se de formas diferentes consoante o objetivo.
- Texto final e fechado: manda a versão definitiva. Alterar o original a meio obriga a retraduzir e a repagar.
- Formato dos ficheiros: um documento editável (Word, por exemplo) é muito melhor do que um PDF ou uma imagem, e evita erros e custos de conversão.
- Terminologia e referências: glossários, traduções anteriores, nomes de produtos e siglas que devem manter-se. Em textos técnicos, médicos ou legais, isto é meio caminho andado.
- Prazo realista: uma tradução de qualidade leva tempo e, se houver revisão, ainda mais. Pedir para ontem custa mais e arrisca a qualidade.
- Certificação: se o texto for para uma entidade oficial, pergunta primeiro se exige tradução certificada. Isso decide quem a pode fazer.
- Confidencialidade: se o conteúdo for sensível (contratos, relatórios clínicos), diz-o logo no início e combina como será tratado.
O que vale para as duas
Há três regras que funcionam com qualquer profissional criativo ou linguístico:
- Conteúdo primeiro. Tem os textos, as imagens e os ficheiros prontos antes de começar. Mudar a meio é a causa número um de atrasos.
- Uma só voz a decidir. Se houver várias pessoas envolvidas, junta o feedback todo numa única mensagem, em vez de o enviares aos bochechos.
- Tudo por escrito. Âmbito, número de rondas de revisão, prazos e condições de pagamento combinados antes de começar protegem os dois lados.
E uma dica para quem precisa das duas coisas, por exemplo num site bilingue: faz a tradução antes de fechar o design. O português costuma ocupar mais espaço do que o inglês, e um título ou um botão que cabe numa língua pode partir o layout na outra. Com isto na mão, a primeira conversa com qualquer profissional passa a ser muito mais produtiva.
